Barquinha

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29/03/2017Página Inicial arrow O Fundador

Mestre Daniel  


 

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Daniel Pereira de Mattos nasceu no Maranhão no dia 13 de julho de 1888, dois meses após a abolição da escravatura, na antiga Vila de São Sebastião de Vargem Grande, sendo conterrâneo de Raimundo Irineu Serra, fundador da doutrina do Santo Daime. 

Aos sete anos de idade entrou como grumete na Marinha. Chegou à Rio Branco na época da Revolução Acreana como 2º Sargento da Marinha. Terminada a revolução pediu baixa e se estabeleceu na cidade, trabalhando inicialmente como barbeiro no bairro boêmio popularmente conhecido como Papôco. 

Além de um exímio barbeiro desempenhou outras profissões como: sapateiro, cozinheiro, músico, alfaiate, carpinteiro, marceneiro, artesão, poeta, pedreiro e padeiro. Mas era conhecido mesmo por sua fama de boêmio. Homem de estatura média, rosto comprido, voz grossa, negro de cabelos crespos e bastante educado (Sena Araújo,1999:46), Daniel fazia composições musicais que falavam de paixão, da busca pela mulher amada, cantando e tocando em instrumentos que ele próprio fabricava. Não omitia sua paixão pela vida boêmia e deleitava-se nas noites festeiras do Papôco. 

No ano de 1928 casou-se com a maranhense Maria do Nascimento Viegas e com ela teve quatro filhos, mas já em 1936 a família partiu para o Maranhão por não suportar mais os problemas de alcoolismo e boemia de Daniel. 

Neste mesmo ano, cada vez mais dependente do álcool, sofreu uma enfermidade ocasionada pelo vício. Com graves problemas no fígado, recebeu uma visita que mudou para sempre sua vida. Um freguês da barbearia, amigo e conterrâneo, Raimundo Irineu Serra, convidou-o para fazer um tratamento espiritual através da bebida sagrada, o daime. 

O tratamento foi iniciado, no entanto, pouco tempo depois e após melhorar significativamente, Daniel interrompeu o processo de cura, voltando para a vida boêmia. 

Outra vez doente, foi chamado por Irineu para um novo tratamento no Alto Santo. Depois de tratado e iniciado nos trabalhos do Mestre, Daniel passou a seguir a Doutrina fundada pelo amigo. Lá ajudou a musicar os primeiros hinos. 

Em certa ocasião, tomou daime e sozinho teve uma visão em que as portas do céu se abriam e dois anjos desciam com um livro azul nas mãos contendo sua missão espiritual, a de fundar uma doutrina cristã alicerçada na caridade. Esta revelação já havia se dada em outra oportunidade quando cansado e sob o efeito do álcool, adormeceu as margens de um igarapé onde teve um sonho com anjos e um livro de cor azul. 

Após acompanhar o amigo que havia lhe socorrido anteriormente ajudando-o a repor sua estabilidade física e espiritual, Daniel resolveu seguir seu próprio caminho por perceber que sua missão seria fundar uma linha de trabalho própria. Com apoio do Mestre Irineu, que lhe ofereceu uma boa quantidade de daime, seguiu para um lugar da zona rural de Rio Branco dando início aos seus trabalhos, a sua missão. 

Instalou-se numa casinha de madeira de paxiúba e pau roliço, coberta de palha, numa área de 2.500m², doada por Manoel Julião da Silva, no seringal Santa Cecília - atual bairro Vila Ivonete. Neste local começou sozinho sua linha espiritual, recebendo salmos mediunicamente, tocando e cantando como forma de transmitir os preceitos e ensinamentos da Doutrina Cristã. 

Neste espaço deu início aos trabalhos de atendimentos que designou de "Obras de Caridade". Inicialmente ficou conhecido como "Capelinha de São Francisco", por ser São Francisco um dos principais mentores da Casa. O número de frequentadores era bem reduzido, basicamente composto por pessoas mais pobres com distúrbios de saúde, alcoolismo e problemas familiares. 

Estes atendimentos eram realizados em crianças e adultos, principalmente os caçadores da região e suas famílias. Posteriormente, moradores da zona urbana de Rio Branco passaram a procurá-lo. 

Em 1957 Mestre Daniel começou a preparar a irmandade para uma viagem que deveria fazer brevemente, já que se encontrava há algum tempo enfermo com um problema na garganta. 

Após o cumprimento de uma penitência de 90 dias, que ficou conhecida como "Romaria dos 90 dias" e que seria uma espécie de preparação para a "sua viagem", desencarnou no dia 08 de setembro de 1958, no interior da casinha de feitio do daime, às 18:30h, no início da romaria de São Francisco das Chagas. Seu corpo foi colocado no interior da igreja sobre a mesa de concreto que ainda estava em fase de construção. 

Os seus trabalhos em vida de matéria tiveram duração de doze anos, mas continua dando assistência a irmandade através de sua presença espiritual, seja por meio da incorporação em seu aparelho oficial, a Madrinha Francisca, ou mesmo irradiando sua presença próximo a qualquer irmão que solicite sua ajuda. 

Este trabalho pode ser resumido na ajuda às pessoas enfermas e necessitadas que procuram a Casa Franciscana em busca de  acolhimento através de uma palavra de fé, carinho, amor e compreensão. Pelos serviços prestados, em nome da caridade e do amor ao próximo, Daniel recebeu o título de Frei Daniel. 

Logo após a sua morte, Antônio Geraldo da Silva assumiu a direção dos trabalhos, em 20 de janeiro de 1959. Por essa época a Capelinha já tinha muitos adeptos e se chamava Centro Espírita e Culto de Oração Casa de Jesus Fonte de Luz. Em 1979 Manuel Hipólito de Araújo passou a dirigir o Centro e Antônio Geraldo da Silva fundou outra Igreja, com o nome de Centro Espírita Daniel Pereira de Mattos. 

Em 1992, Francisca Campos do Nascimento, primeira médium oficial da Capelinha de Daniel, após 34 anos de dedicação a Casa de Oração Jesus Fonte de Luz, dá continuidade a sua missão fundando o Centro Espírita Obras de Caridade Príncipe Espadarte, dando seguimento aos ensinamentos do Mestre e amigo, procurando atender a todos aqueles que a ela se dirigem em busca de ajuda. 

Atualmente a Barquinha, nome pelo qual ficou conhecida a Doutrina revelada a Daniel Pereira de Mattos, conta com um expressivo número de centros, além das matrizes em Rio Branco, existem filiais em Niterói-RJ, Rio de Janeiro-RJ, Brasília-DF e Fortaleza-CE.

 

Daniel, Um Bom Professor 

Falar de Frei Daniel é falar de um amigo que está sempre presente no sacrifício e nas horas difíceis. Como um bom professor procura sempre ajudar, orientar mostrando os caminhos corretos com ordem e disciplina ao encontro do nosso Pai Criador.

Sempre louvando a Deus e a Virgem Mãe, está presente em nossa mesa de devoção em lindas explanações, falando de paz, amor, conversão e de união entre os seres e as nações.

Este é o caminho da libertação do espírito que anseia elevar-se constante seguindo rumo ao Conhecimento Superior. Em meio a tantas virtudes recebidas, só podemos agradecer ao nosso Mestre Fundador, Daniel Pereira de Mattos, pelo legado, por todas às graças recebidas nestes longos e felizes anos de compromisso espiritual navegando nesta linda embarcação.

 

Fontes:

ARAÚJO NETO, Francisco Hipólito de. Com Quantos Paus se faz uma Nau. Rio Branco:UFAC.SENA ARAÚJO, Wladimyr - A Barquinha:Uma cosmologia amazônica em construção, Mestre em Antropologia Social - Unicamp, 1995.

ARAÚJO, Wladmyr Sena. Navegando sobre as ondas do Daime: história, cosmologia e ritual da Barquinha. São Paulo: Editora da Unicamp, 1999.

COSTA, Cristiane Albuquerque. Uma Casa de “Preto –Velho” para “marinheiros” cariocas: a  religiosidade em adeptos da Barquinha da Madrinha Chica no Estado do Rio de Janeiro. UFCG, 2008.

 



Centro Espírita Obras de Caridade Príncipe Espadarte
Rio Branco (AC), Rua da Paz, nº 134, Bairro Vila Ivonete.

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